24/02/2016

Fragilização

Se estás triste, fica triste. Aproveita. Se te apetece chorar, chora. Aproveita. Não é todos os dias que consegues alcançar esse estágio de fragilização. E a fragilização é soberba. Faz-te reavaliar as coisas, as relações. Faz com que te ponhas em causa. Faz reacender a chama da sensibilidade absoluta, lágrima ao canto do olho, pronta para saltar.

E essa sensibilidade é a tua grande arma. É com ela que vais receber as intuições, ordens cósmicas para avançar. Sem essa sensibilidade e essa fragilização, a tua vida fica no plano mental, e o teu percurso energético fica anulado. Essa tristeza é bem-vinda. Faz parte do ciclo das fragilidades. E esse ciclo tem de ser respeitado.

Há dias em que acordas bem e outros em que acordas mal. É um ciclo alternado e dual, sem fim, onde vais trabalhando a tristeza, chorando, fazendo os teus lutos particulares, para quando virar o ciclo e vier a alegria, esta ser verdadeira, grandiosa, limpa e generosa. Respeita os ciclos. Respeita a tua tristeza assim como respeitas a tua alegria. E fica sabendo que os homens que respeitam os ciclos são muito bem-vindos no céu. 

Alexandra Solnado

17/02/2016

Medo

Tu queres, mas tens medo. Por um lado queres, por outro, tens medo. Tens medo do risco, tens medo do mergulho rumo ao desconhecido. O que deves fazer, então? Primeiro que tudo: Perceber porque é que queres. Porque é que tens necessidade de que este desejo se concretize. É porque queres ser aceite? É para te sentires mais seguro? É para seres mais feliz? Para fazeres desaparecer essa insatisfação?

Pensa: não há nada que venha de fora que te possa trazer felicidade plena. O segredo é: sempre que desejares fazer algo porque te sentes mal, arranja maneira de te sentires bem. Arranja forma de ficares melhor. Medita, faz terapia, vem cá acima, chora, faz qualquer coisa para internamente te sentires bem.

Depois… depois que tiveres melhorado, que te sentires equilibrado e feliz, pensa: «Ainda quero avançar com esta questão?» Nessa altura já escolheste. Se a resposta for negativa é porque o que tu querias era uma acção de fora para melhorar internamente. É claro que não ia resultar, pois estavas a fugir, não irias ao fundo da questão.

Ao obrigares-te a ficar bem com meditação, interiorização, o que quer que seja, estás a validar um dos mais altos preceitos do céu. Tudo se cura de dentro para fora, do interior para o exterior, e não o contrário. Se a resposta for «não», livraste-te de uma acção estéril, que não iria servir-te para nada, a não ser para fazer-te perder tempo.

Mas se a resposta for «sim», se, apesar de já estares bem, ainda desejas avançar, aí o caso muda de figura. Trata-se de uma intuição. Trata-se de uma comunicação com o céu. Trata-se de algo que confere com a tua energia original. Podes avançar, pois por mais difícil que seja essa jornada, ela nunca te afastará do teu caminho original, pelo contrário, irá participar no enriquecimento da tua vida interior. 

Alexandra Solnado

03/02/2016

Uma porta fechada

Quando uma porta se fecha, só a irás sentir a fechar-se se estiveres à frente dela. Se estiveres ali, especado. Obstinado. Uma porta só se fecha com ruído e perda para quem só vê essa saída, e mais nada.

Para quem está cá em cima, elevado… Para quem vê as coisas com o distanciamento que o céu promove, para quem sabe que tudo o que acontece de mal é para vos fazer mudar de rumo… essas pessoas não sentem que a porta se fechou. Sentem apenas que não é por aí. Ou há outra porta, algures, e é só procurá-la… ou não está no tempo dessa porta se abrir, e é só aprender a esperar.

Às vezes as pessoas ficam tão obstinadas em tornar a abrir uma porta que se fechou, que não vêem que mesmo ao lado há um portão incomparavelmente maior a abrir-se. Olham para o que se fecha, e são incapazes de desviar o olhar para o que se abre.

Distância. O segredo é ganhar distância. Distância para ver o panorama das oportunidades e das impossibilidades. Distância para ver os dois lados das coisas. Distância da terra para estar aqui no alto, mais perto de mim. 

Alexandra Solnado