A nossa vida é feita por ciclos. A Natureza tem os seus ciclos, o ser
humano tem os seus ciclos, todos os animais, todas as plantas têm
ciclos. Qual é a grande diferença entre os ciclos da Natureza e os
ciclos do ser humano?
A diferença é que nós, quando somos chamados a mudar de ciclo, achamos
mesmo que podemos recusar. O ser humano acha mesmo que pode dizer "Não"
quando a vida pede mudança.
- "Mas isso agora não dá jeito nenhum. Espera mais um bocadinho. Preciso de pensar. Sim, mas..."
Eu adoro o "Sim, mas...". Quando estou a dar formação às terapeutas do
Projeto, digo sempre: Cuidado, prestem atenção. Quando vocês estão a
dizer alguma coisa e a pessoa responde:
- "Sim, mas..." - ela está a dizer:
- "Não".
- "Sim, mas..." - é:
- "Não".
O Pólo Norte e a Antártida são sítios de natureza bruta, lá não há toque
de homem e é um local muito importante para conseguirmos perceber os
ciclos de uma forma natural. O gelo e o degelo acontecem de 6 em 6
meses. E a cada mudança, os animais iniciam jornadas incríveis de
dezenas de milhares de quilómetros. No Ártico são 18 milhões de
pássaros, ursos, baleias, etc. Aquilo tudo se transforma de 6 em 6
meses. Há uma andorinha, andorinha-do-mar-ártica, que pesa 100 g e que
migra anualmente da Gronelândia até à Antártida. A distância é de mais
de 70 mil quilómetros! Se eu dissesse a qualquer ser humano que ele
tinha que apanhar o avião, e andar 70 mil quilómetros por ano...
- "Ah, mas não posso, eu não tenho dinheiro, e não posso deixar a casa... ainda agora comprei um plasma!"
Os pássaros não discutem se vão em low cost, nem argumentam:
- "Olha desta vez eu não vou, vou ficar cá porque não dá jeito nenhum, arranjei um emprego..."
Eles fazem o que têm que fazer. Porque sim. E é aqui que está a questão.
Eles não discutem, não argumentam, nada. Eles fazem, eles só fazem.
Eles sabem que "as coisas são o que são" e que temos que fazer o que
temos que fazer. Os pássaros sabem que se não voarem 70 mil quilómetros
para iniciar um outro ciclo, a vida deles vai ficar muito difícil.
Durante 6 meses no Ártico não há comida, não há condições. E eles sabem
disso, por isso vão. O ser humano sabe que tem que mudar porque senão a
vida vai tornar-se muito difícil. Mas mesmo assim, não vai. Fica.
Se olhássemos para a nossa vida como olhamos para a Natureza... lá,
todos fazem o que têm de fazer... e ninguém reclama. A Natureza, os
animais sabem que "as coisas são o que são", e agem em correspondência.
Se nós conseguíssemos olhar para a nossa vida e perceber que "as coisas
são o que são", com certeza que evitávamos 80% dos problemas que temos.
Não lhe estou a pedir que olhe para a sua vida agora, como ela está
agora, e deixe estar porque "as coisas são o que são". Não é disso que
eu estou a falar. Não estou a falar das coisas que você pode mudar.
Essas, você vai lá e muda. Estou a falar das que não pode mudar, e que
não aceita que não pode. Estou a falar das que realmente "são o que
são". Como os ciclos da vida.
A vida de muita gente está um caos precisamente porque as pessoas não
aceitam que "as coisas são o que são". E uma das coisas mais incríveis é
quando vemos pessoas a bloquear a sua vida toda à espera que alguém
mude.
- Eu vou escolher fazer assim, porque ela ainda vai mudar!
- Ele ainda vai perceber que eu tenho razão!
Se aquela pessoa está assim, e ainda não mudou, que direito tenho eu de
ir lá e escolher por ela? Se aquela pessoa não vai mudar, eu tenho duas
hipóteses. Ou fico ali ou vou-me embora. Mas não posso fazer escolhas na
minha vida a contar que ela vá mudar. Eu não tenho esse direito.
Porque é que as pessoas ficam doentes? Porque seguram o que está a ir
embora. Porque querem manter um ciclo que já terminou. A pessoa continua
a querer manter a sua vidinha toda compartimentada, toda controlada.
Ela já sabe o que vai fazer hoje, já sabe o que vai fazer amanhã, já
sabe o que vai fazer este mês, já sabe o que vai fazer este ano, já sabe
o que vai fazer esta vida. E chega uma altura em que acaba um ciclo, a
vida começa a andar e não há nada a fazer.
Jesus dá-nos a máxima inspiração para que consigamos aprender a sentir
os sinais de mudança e a deixar-nos ir. E mais. Para que gostemos da
experiência. Fluindo no rio da vida, vamos mesmo ter que aprender a ir
com a corrente, porque chega uma altura que é mesmo para ali que a vida
vai. E esta nova energia da Era de Aquário que está a descer é tão
forte, que ou vamos... ou vamos.
Só há duas hipóteses, ou vamos contrariados a tentar segurar-nos em
todos os troncos para tentar atrasar mais um pouco, e ficarmos todos
partidos e doentes nesse processo, ou vamos aprender a fluir com o rio e
acreditar que a vida só nos leva para onde tem que levar. Mesmo que
tenhamos no caminho experiências mais difíceis, para desbloquear e
ficarmos mais leves para a viagem. Sempre acreditando que "as coisas são
o que são" e que já que vamos ter de descer o rio, quanto mais nos
conseguirmos divertir nessa jornada melhor. E quando o rio desaguar no
mar, eu posso estar de duas formas, ou estou feliz e contente porque
aprendi a divertir-me com as aventuras do caminho, ou vou estar toda
partida, incapacitada para me render ao mar. A escolha é minha.
Por isso, cheguei à conclusão nestes anos de que nós na realidade - e
olhando as coisas de uma forma muito resumida - só viemos à Terra fazer
uma coisa. Utilizar o nosso livre-arbítrio para evoluir ou não evoluir.
Por isso, em última análise, o meu livre-arbítrio não tem a ver com voos
de 70 mil quilómetros, como vou ou não vou, em que avião é que eu vou,
nada disso. Porque quando chega a hora de ir, eu vou mesmo ter que ir, e
isso já está claro. Agora a grande escolha é: vou a bem ou vou a mal,
isto é, vou escolher evoluir ou vou escolher não evoluir. E a qualidade
da caminhada vai ser uma consequência direta dessa minha escolha.
Alexandra Solnado
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